sábado, 30 de março de 2013
quarta-feira, 13 de março de 2013
segunda-feira, 4 de março de 2013
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
No sul de Angola tudo continuava a parecer muito familiar, já tarde depois de procurarmos alojamento numa pequena pensão numa casa de traça algarvia com um pátio interior empedrado, onde se seca e lava a roupa num tanque de cimento como nas casas que se alugavam nas férias no Algarve antes da oferta de camas ser o que é hoje. No clube Naval do Namibe ainda nos serviram jantar, na ementa não havia um só ingrediente que não fosse completamente familiar. A corrente fria de Benguela faz com que ali seja um dos lugares de pesca mais importantes de Angola, terra de bom peixe mas a fome ditou que em pleno Namibe o que veio à mesa fosse depois de uma sopa de legumes com rodelas de chouriço a flutuar uma bela carne de porco à Alentejana.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Contra todas as advertências e expectativas sobre a resistência e a capacidade que o pequeno Chevrolet teria em conseguir transpor os obstáculos que encontrou pela frente, lá chegámos ao Namibe graças sobretudo à perícia de condução dos nossos produtores. Esse sempre foi aliás o meu maior receio antes e depois de partir para África, o facto de não conhecer devidamente a equipa com quem me ia enfiar dentro de um carro durante cerca de um mês para atravessar África de Angola à Contra Costa.
A noite caía rápido algumas dezenas de quilómetros antes de chegar ao Namibe, quando alguém nos avisou que teríamos de voltar para trás porque uma ponte tinha caído recentemente durante a estação das chuvas. Já bem cansados e com a expectativa da meta à vista tornava-se bem mais difícil de segurar o moral. Tínhamos mesmo de voltar para trás e conforme as indicações, seguir já de noite durante largos quilómetros por um desvio sobre pistas de pedras e areia sobre o deserto do Namibe, passámos por vários jeeps parados com pneus furados, uma família com o carro atolado montava um abrigo à luz dos faróis, para ali pernoitar junto dos trilhos de areia que se iam abrindo com a passagem dos jeeps. Com sorte escolhemos o trilho certo. Chegamos à antiga cidade de Moçâmedes onde Capelo e Ivens teriam organizado a sua comitiva de guias e carregadores que os acompanharam atravessar África a pé até do Atlântico até ao Índico.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Depois de Benguela o caminho mais curto pelo mapa até ao Namibe, seria pela estrada do litoral, cujo asfalto termina pouco depois de Benguela e daí segue por atalhos e desvios, por montes e vales desérticos atravessando pequenas povoações de pescadores por uma costa de praias e falésias arenosas infindáveis e quem sabe até com baías de água cristalina e ondas perfeitas ainda por descobrir. Essa era a via que eu gostava de ter feito mas impensável para o nosso pequeno chevrolet citadino. A estrada transitável para sul é só uma, a que segue por Chongoroi, pelo interior até ao Lubango e depois ruma a oeste desce as curvas da Serra da Leba e daí até ao Namibe segue por uma planície na mesma cota do mar. Depois de Chongoroi afinal a dita via transitável pelo interior, a seguir à estação das chuvas deixara de o ser. Há muito que o asfalto tinha sumido, havia vestígios de antigos marcos de estrada, de bermas empedradas e protecções em cimento como as que vemos na estrada marginal entre Cascais e Lisboa a mais de um metro de altura do nível onde hoje os camiões escavam na lama um novo rodado. Vários foram os que paravam para nos avisar de que a estrada não estava transitável para o pequeno Chevrolet sem tracção total, mas se os Kupapata ou mesmo alguns candongueiros passavam nós também havia-mos de passar.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
São cerca de 180 quilómetros de Benguela a Chongoroi, uma pequena povoação onde,quando há gasolina na bomba se pode abastecer oficialmente, se não houver, há sempre quem sabe de alguém que arranja gasolina clandestina em jerry-cans cor de laranja ao dobro do preço. Também aqui se pode pernoitar no "cavalo preto" um tasco com alma bem Portuguesa, vendem-se cachorros e bifanas em papo secos, sagres e superbock, há posters e galhardetes pendurados do benfica, os quartos ficam por cima como no oeste, o tasco enche com a paragem das camionetas que vão para o Huambo , para Benguela ou para o Lubango, para logo ficar vazio até que chegue a próxima carreira. Até ao Lubango falta a outra metade do caminho, e outro tanto até ao Namibe. Daqui para frente a estrada que se vinha revelando como uma boa surpresa tornar-se-ia uma verdadeira prova de resistência.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Na manhã seguinte deixamos Benguela ainda cedo, apetecia ter estado um pouco mais, fiquei com a sensação de poder viver ali, tudo me parecia muito familiar, a arquitectura popular do sul de Portugal construída até meados do século XX transplantada para o centro de uma cidade tropical e a arquitectura típica dos anos 60 dos novos bairros periféricos de Lisboa, que marcam ali também perfeitamente as áreas de implantação da habitação que serviu o grande êxodo dos Portugueses para África por essa altura. As construções de tons pastel agora despintados mas neste caso particular quase intactos, sem nada que se tenha erguido por perto que perturbe o enquadramento faz-nos em cada quarteirão viajar no tempo.
Sem mais nostalgias esperavam-nos algumas boas centenas de quilómetros por estradas que nunca se sabe bem ao certo se chegam ou não ao Namibe, antiga cidade de Mocâmedes bem no sul de Angola. Pelo caminho não há tempo para paragens, menos ainda para desenhos que só seriam passados para o papel depois de gravadas na memória visual as imagens das cantinas de beira de estrada, dos embondeiros e dos Kupapata que passavam ao lado com ou sem clientes no selim da motocicleta.
domingo, 30 de dezembro de 2012
A saída atrasada de Luanda já perto da hora do almoço implicou um andamento rápido e sem paragens até Benguela. Esperava-nos pouco mais de 400 quilómetros pela frente, cerca de sete horas de viagem que não cabiam nas horas que restavam do dia. Todas as advertências dadas para não se viajar de noite começaram por não se cumprir. Paragens obrigatórias a sul de Luanda como o Miradouro da Lua ou Cabo Ledo a sul do Kwanza, baía imperdível onde as ondas partem de uma forma perfeita e regular para a esquerda com a possibilidade de serem surfadas por mais de 500 metros, foram com muita pressa e frustração ignoradas. A noite caiu brusca e tormentosa antes de chegar ao Lobito com uma tempestade tropical que mal deixava ver o caminho e nos tornava vulneráveis a todos os perigos reais que aqui estrada representa, pouco tempo adiante à chegada a Benguela já com tempo seco, a amabilidade de um motociclista que nos conduz ao hotel faz-nos perceber que chegamos a uma outra Angola, bem mais calma e aprazível que a que tinha-mos deixado na hora do almoço. Benguela tem uma arquitectura e o encanto de uma cidade algarvia antes da euforia turística, como neste charmoso de um certo gosto colonial-nostálgico Clube da Praia Morena onde apesar da hora tardia amavelmente ainda nos serviram o jantar.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Seguia-mos no pequeno Chevfrolet sempre bem atentos às luzes de travagem e às guinadas do Nissan Pathfinder que ia na frente como batedor. Em África desconfia-se sempre das boas pistas, quando aparentemente se pode rolar com velocidade, surgem buracos, abatimentos de terra, árvores caídas ou animais que se atravessam nos lugares mais improváveis. À saída de Luanda os embondeiros que passam rápido pela janela marcam a paisagem que se vai seguir, percebo que o desenho nesta viagem não vai ter grande hipótese de acertar o passo com o que se passa do lado de lá do vidro do banco traseiro.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
O carro que ficou combinado para viajar alguns milhares de quilómetros em Angola foi sempre um incerteza,demorou a chegar até que lá apareceu luzidio quase novo numa manhã já tardia para quem teria Benguela como destino para um só dia.
As estradas estão agora bastante melhores do que há pouco tempo atrás, mas a estação das chuvas mal tinha ainda passado e deixara um rasto de estradas cortadas, pontes quebradas e uma infinidade de desvios por picadas que implicavam a tracção total. Esse era apenas o atributo do Nissan emprestado pela televisão de Angola, o pequeno Chevrolet alugado para circular na cidade teria que seguir atrás desse lá por onde desse.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Hotel Pôr do Sol à saída da cidade de Luanda, junto a um braço de mar calmo e quente. Junto da esplanada o Realizador ensaia o som da minha voz que iria depois entrar em off, logo atrás cisnes gigantes de fibra de vidro parecem olhar a cena. Os dias em Luanda terminavam neste ambiente bem mais Calmo na companhia dos cisnes e das gentes locais que chapinhavam nas imediações do hotel. Aqui na zona de Benfica, saída sul da cidade de Luanda o preço de duas horas de trânsito para lá chegar era amortizado nos preços exorbitantes das diárias praticadas mesmo nos hotéis ditos mais acessíveis, uma média de 400 dólares no centro da cidade baixava naquela zona para cerca de metade.
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Durante a década de 80 em plena guerra muitos milhares de angolanos fugiram
para Luanda onde havia maior segurança. De forma expontânea gera-se um enorme mercado na Boa Vista que ficou conhecido como o Mercado do Roque Santeiro, provavelmente a maior e mais exótica manifestação dos princípios fundamentais do capitalismo a ideia do "livre mercado" estava ali explicita da forma mais crua e bruta. Lá se vendia tudo sem restrições, desde armas a remendos para a bicicleta, craneos de macaco ao lado do último gadjet da microsoft. O Roque foi agora transladado para a zona de Panguila de uma forma igualmente anárquica e lamacenta onde o azul turquesa dos candongueiros que se atravessam pelo meio dos vendedores, se confunde com os padrões das capulanas.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Ao fim do segundo dia em Luanda começo a perceber que as oportunidades de desenho se resumiam aos tempos de esplanada. A Luanda caótica ficava do lado de lá do vidro do carro atascado em engarrafamentos caóticos, sem oportunidade de chegar às paginas do caderno.
Aqui numa esplanada à noite perto da ponta da ilha, o guia da TPA que nos acompanharia em Angola despede-se da sua mulher e da Filha recém nascida.
domingo, 11 de novembro de 2012
Os primeiros dias em Luanda foram passados sob um calor insuportável e até tudo se aprontar com as devidas autorizações para se poder filmar, passaram-se horas de espera em lugares mais cosmopolitas onde se podia comer comidas rápidas assim como cá mas a preços de lá e que de sabor a África pouco tinham.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Levei vários cadernos "Ketta" para África com vários tamanhos para as várias ocasiões,
um formato estranho próximo do A4 para desenhos com mais tempo e mais cerimónia, um mais pequeno para o bolso lateral das calças e outro mais pequeno ainda para intervenções rápidas que levava no bolso da camisa. Foi esse que saquei aqui no Miramar Burger no bairro "chic" de Miramar. O mais em conta e que se encontra mais parecido com um Mac ou com um King mas em género Cova da Mora style.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
O Sky- Line da Baía de Luanda está a mudar muito rapidamente, o que resta dos antigos edifícios coloniais ainda pode ver-se do lado de lá do taipal dos estaleiros, esperam a ordem de despejo para desocupar e dar lugar aos arranha céus que crescem alto e a bom ritmo com a mão de obra frenética dos chineses. Não existe qualquer vontade histórica, estética ou política para se recordar o passado colonial, a memória ficará enquanto durarem os álbuns das nossas famílias e os bilhetes postais da baía de Luanda com a cor kodacrome também ela a sumir-se.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
"Às 9 horas da manhã do dia 6 de janeiro de 1884, Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens embarcam a bordo do vapor S. Tomé e dão início à última das grandes aventuras de Portugal. Como destino, Luanda. Como objetivo, ligar, por terra, as províncias de Angola e Moçambique."
127 anos depois, esse era também o nosso objectivo, reconstituir por meios agora bem mais cómodos a viagem de Capelo e Ivens e realizar um documentário para a RTP2.
A equipa com os recursos mínimos e pouco dinheiro no bolso também partiu por Africa a dentro numa aventura sem grandes certezas do que iria hoje encontrar pela frente e eu com menos certezas ainda enquanto estreante no papel de narrador.
Chegámos à baía de Luanda em Abril de 2011, este foi o primeiro de uma série de desenhos tortuosos que passo a apresentar aqui, feitos debaixo de um sol abrasador e de uma temperatura insuportável.
Logo no primeiro dia de rodagem me apercebi o que daí para a frente me esperava durante cerca de um mês, mas também que os desenhos que considerava ser a razão de eu ali estar, afinal eram só decór, se não os acabasse não fazia mal o importante era passar rapidamente para a cena seguinte, decorar o guião e seguir para a frente porque havia milhares de quilómetros para rodar e muitas cenas para rodar também.
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Este é o caderno que se segue. Trata-se de um puro capa dura forrado a lona vermelha
fabricado amadoramente pelo autor, papel cortado a partir de fabrianos brancos e amarelados de formato Aproximado A1, dobrados até ao formato de bolso 18x14cm.
Este caderno apresentado nas postagens abaixo já conta com algum tempinho começa com
o melhor da festa, nas férias em Agosto de 2010 e acaba com a rentrée escolar em 29 de outubro do mesmo ano.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Breve espaço publicitário entre o fim e o começo do próximo caderno para anunciar o próximo curso de ilustração do agora CIEBA na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. O curso tem a duração total de 128h às terças e quintas das 18h30 até as 22h30, é monitorizado por mim e composto por vários módulos temáticos sendo o ultimo da responsabilidade de um ilustrador convidado. Vários "ilustres" com ilustradas propostas por lá têm passado tais como: Richard Câmara, Yara Kono e para este ano novamente Bernardo Carvalho A ilustração do cartaz é de Luís Frasco que frequentou o ultimo curso. O curso destina-se a todos os interessados por ilustração que queiram desenvolver um trabalho criativo e orientado nesta área, funcionando num regime de cursos livres que a Fbaul promove aberto a todas as pessoas dentro e fora da faculdade. Começa já na próxima segunda feira dia 17 e as inscrições terminam amanhã, ainda que se aceitem inscrições até ao final da semana.
As crianças que vivem hoje em contextos urbanos mais ou menos burgueses como a minha, são inevitavelmente encharcadas por brinquedos de todos os tipos e feitios que já nem sabem que têm. Arrumam-se enquanto houver cantos para arrumar, inventam-se marquises quartos especiais, improvisam-se gavetas e prateleiras que se empilham a caminho do tecto até se tropeçar num par de patins que rola na sala ou em canetas de feltro já secas que dão cor às assoalhadas.
No meio do entulho emerge um urso farrusco sem pilhas nem outros artifícios, o mais simples e clássico dos teddy bears, sempre sujo e malcheiroso, se fosse vivo questionaria se não teria mesmo sarna, mas é esse inexplicavelmente que há dois anos para cá, sem ele não dorme nem come, não sai de casa, não vê o canal panda e não sossega o coração.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
domingo, 12 de agosto de 2012
Chega Agosto e é isto!
Quantas pessoas só vão à praia em Agosto?
Quantas estão programadas para só sentir o apetite do mar em Agosto?
Quantas dobram a toalha e arrumam o material de praia como as figuras do presépio para a próxima época!
Temos sol de Maio a Novembro mas é em Agosto que não temos lugar para parar o carro nem para estender a toalha,
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
segunda-feira, 30 de julho de 2012
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Há 10 anos já não morava ali ninguém, havia apenas umas ruínas, uma pequena vila fantasma numa terra onde seria bem improvável alguém ainda passar.
Já existia um desvio em alcatrão para quem viesse da Carrapateira, mas o atalho até Budens fazia-se em terra.
Até que...
Uns freaks alemães começaram ali a fazer umas pizzas num forno de lenha e a cena pegou!
10 anos passados continua-se a fazer enormes listas de espera para as mesmas pizzas que só são apenas mais umas pizzas em ambiente hippie chic no meio de uma vila "Burgeois Bohème" recuperada artificialmente para parecer o que certamente nunca chegou a ser mas que naturalmente satisfaz a quem paga bem para se instalar numa encenação da vila bem portuguesa como julgamos que seria no princípio.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
segunda-feira, 16 de julho de 2012
sexta-feira, 13 de julho de 2012
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Já se houve as fofocas da tia Amélia e da Maria José, e os gatos que miam e as galinhas que chocam na arriba e o chinelar de quem atravessa favela acima favela abaixo e as gaivotas do porto e as vozes ao longe na praia e os destroços das espinhas do gato que ficaram no prato e o Buggy que fugiu outra vez e quem vai ao pão hoje e quem faz as brasas e quem lava a loiça e a coluna do portátil que só canta pimba e a quinzena do ano que está quase a chegar.
terça-feira, 3 de julho de 2012
segunda-feira, 2 de julho de 2012
segunda-feira, 25 de junho de 2012
segunda-feira, 18 de junho de 2012
segunda-feira, 11 de junho de 2012
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