sábado, 30 de março de 2013

Do Namibe não se sai para muitos lados, ou se volta para trás de regresso ao Lubango, ou se segue numa picada junto ao litoral na direcção de Lucira, ou se vai pelo deserto numa estrada acabada de asfaltar na direcção de Tombwa, antigo Porto Alexandre. Foi essa ultima a nossa opção, para se poder filmar segundo a ordem do guião no ambiente desértico que correspondesse às descrições de Capelo e Ivens. Outras descrições sobre esta zona de Angola falavam da existência de cobras e escorpiões do deserto do Namibe mas também de uma planta que sempre ouvi falar e que pelo facto de apenas existir ali e em alguns lugares na Namíbia, constitui um autêntico símbolo nacional. Curioso é que, também graças aos campos minados deixados pela guerra esta planta parece poder preservar-se melhor ali do que no país vizinho! De papel na mão enquanto decorava o guião, a medo ia levantando uma pedra após a outra na mira de encontrar um escorpião do deserto, neste deambular deparei com a primeira Welwitschia Mirabilis, depois outra, depois outra, e outra ainda maior! Olhei em redor e vi que afinal havia imensas até se perderem na linha do horizonte. Estas plantas crescem muito devagar algumas delas podiam ter perto de 1000 anos, grande parte possivelmente já lá estavam quando em 1884 Capelo e Ivens por ali passaram, 25 anos depois do explorador botãnico Friedrich Welwitsch a ter descoberto numa viagem de exploração botânica a Angola subsidiada pelo estado Português. A Equipa de filmagem desconhecia a importância deste "monumento" vegetal, não fossem as minhas advertências e o nosso 4X4 por pouco passava-lhes por cima. Não foi fácil convencer a produção para que na madrugada seguinte, mesmo antes do sol nascer, à hora em que as cobras saem para caçar, aquela planta mesmo não fazendo parte do guião, teria de merecer um "take".

quarta-feira, 13 de março de 2013

Os planos de rodagem para o segundo dia no Namibe saíram furados, alguns quilómetros depois da saída da cidade uma enorme fila de camiões deixava antever que alguma coisa se passaria para que o transito não fluísse na saída principal que faz a ligação com a estrada para o Lubango. Nesse dia tinha-mos marcado um encontro com o Soba de uma aldeia próxima, mas em África é mesmo assim, lidar com o imprevisto é uma lição que não se aprende logo. Na noite de chegada aquela cidade tinha uma ponte caído, agora na saída foi um camião cisterna que se virou. Se viesse uma grua de Luanda poderia demorar uma semana a chegar, seria mais rápido abrir uma picada que fizesse mais um atalho, mas isso, por mais rápido que fosse seria sempre demasiado lento para o ritmo de rodagem de um documentário europeu.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Também no Namibe uma boa parte do tempo era passado à procura do fulano tal de uma repartição tal que nos deveria conduzir para falar com o encarregado tal que agora foi almoçar, mas que nos haveria de passar um tal papel que confirmaria a tal autorização para poder filmar em tal parte. Nestas andanças enquanto se espera e desespera o desenho pode acontecer no virar de uma esquina no coração do tráfego de motorizadas que cruzam os quarteirões no limite da máxima rotação. Tudo cheira a "deja vu" desde arquitectura do sul de Portugal à memória do som e do cheiro das motorizadas.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Breve intervalo na programação Angolana para anunciar o curso de ilustração que se segue na Fbaul. E se os ilustradores soubessem também criar as suas próprias histórias? Ficavam com a faca e o queijo na mão e certamente com mais possibilidades de intervir. O Limite das inscrições é já no final da próxima semana consultar o programa aqui.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

No Namíbe tudo se estende na horizontal, a construção é de baixa densidade e de baixa altura, há muito espaço para tudo se espraiar junto do litoral pelo solo árido e desértico. O caminho de ferro de Moçâmedes começa ali num emaranhado de carris até à data ferrugentos. Esta é segunda linha férrea mais importante de Angola começada a construir logo no início do século XX pouco depois da linha de Benguela. Em Agosto passado foi reactivada, pouco a pouco as artérias de Angola sejam em ferro ou asfalto vão recomeçando a funcionar.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A Baía de Namibe é desolada suja e encantadora. Felini podia bem ter rodado ali um filme, mesmo no seu tempo e nos anos que a cidade conheceu alguma prosperidade o cenário não terá sido muito diferente. Agora com a patine impressa pelo tempo, a ferrugem dos aparelhos de pesca que restam, as brincadeiras das crianças descalças que chutam qualquer coisa que sirva de bola, as carcaças das embarcações, a vadiagem de canitos pele e osso, o ar desocupado das pessoas numa cidade com tanta terra ainda por ocupar, torna tudo verdadeiramente encantador, com tanto tempo que parece ter para gastar apetece ficar a fazer um filme sem mais nada, montar o tripé e deixar a câmera ligada. Esse seria o verdadeiro registo da Baía de Namibe, mas a história que tinha-mos de contar era outra. Foram estas as primeiras casas algumas edificadas outras escavadas na falésia que os Portugueses vindos do Algarve construíram. Quando Capelo e Ivens aqui chegaram em 1884 a cidade de Moçâmedes (actual Namibe) ainda mal figurava no mapa, aqui formaram a caravana de guias, carregadores e toda a logística necessária, deixaram o atlântico e partiram por terra a caminho do Índico na contra costa de África.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

No sul de Angola tudo continuava a parecer muito familiar, já tarde depois de procurarmos alojamento numa pequena pensão numa casa de traça algarvia com um pátio interior empedrado, onde se seca e lava a roupa num tanque de cimento como nas casas que se alugavam nas férias no Algarve antes da oferta de camas ser o que é hoje. No clube Naval do Namibe ainda nos serviram jantar, na ementa não havia um só ingrediente que não fosse completamente familiar. A corrente fria de Benguela faz com que ali seja um dos lugares de pesca mais importantes de Angola, terra de bom peixe mas a fome ditou que em pleno Namibe o que veio à mesa fosse depois de uma sopa de legumes com rodelas de chouriço a flutuar uma bela carne de porco à Alentejana.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Contra todas as advertências e expectativas sobre a resistência e a capacidade que o pequeno Chevrolet teria em conseguir transpor os obstáculos que encontrou pela frente, lá chegámos ao Namibe graças sobretudo à perícia de condução dos nossos produtores. Esse sempre foi aliás o meu maior receio antes e depois de partir para África, o facto de não conhecer devidamente a equipa com quem me ia enfiar dentro de um carro durante cerca de um mês para atravessar África de Angola à Contra Costa. A noite caía rápido algumas dezenas de quilómetros antes de chegar ao Namibe, quando alguém nos avisou que teríamos de voltar para trás porque uma ponte tinha caído recentemente durante a estação das chuvas. Já bem cansados e com a expectativa da meta à vista tornava-se bem mais difícil de segurar o moral. Tínhamos mesmo de voltar para trás e conforme as indicações, seguir já de noite durante largos quilómetros por um desvio sobre pistas de pedras e areia sobre o deserto do Namibe, passámos por vários jeeps parados com pneus furados, uma família com o carro atolado montava um abrigo à luz dos faróis, para ali pernoitar junto dos trilhos de areia que se iam abrindo com a passagem dos jeeps. Com sorte escolhemos o trilho certo. Chegamos à antiga cidade de Moçâmedes onde Capelo e Ivens teriam organizado a sua comitiva de guias e carregadores que os acompanharam atravessar África a pé até do Atlântico até ao Índico.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Depois de Benguela o caminho mais curto pelo mapa até ao Namibe, seria pela estrada do litoral, cujo asfalto termina pouco depois de Benguela e daí segue por atalhos e desvios, por montes e vales desérticos atravessando pequenas povoações de pescadores por uma costa de praias e falésias arenosas infindáveis e quem sabe até com baías de água cristalina e ondas perfeitas ainda por descobrir. Essa era a via que eu gostava de ter feito mas impensável para o nosso pequeno chevrolet citadino. A estrada transitável para sul é só uma, a que segue por Chongoroi, pelo interior até ao Lubango e depois ruma a oeste desce as curvas da Serra da Leba e daí até ao Namibe segue por uma planície na mesma cota do mar. Depois de Chongoroi afinal a dita via transitável pelo interior, a seguir à estação das chuvas deixara de o ser. Há muito que o asfalto tinha sumido, havia vestígios de antigos marcos de estrada, de bermas empedradas e protecções em cimento como as que vemos na estrada marginal entre Cascais e Lisboa a mais de um metro de altura do nível onde hoje os camiões escavam na lama um novo rodado. Vários foram os que paravam para nos avisar de que a estrada não estava transitável para o pequeno Chevrolet sem tracção total, mas se os Kupapata ou mesmo alguns candongueiros passavam nós também havia-mos de passar.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

São cerca de 180 quilómetros de Benguela a Chongoroi, uma pequena povoação onde,quando há gasolina na bomba se pode abastecer oficialmente, se não houver, há sempre quem sabe de alguém que arranja gasolina clandestina em jerry-cans cor de laranja ao dobro do preço. Também aqui se pode pernoitar no "cavalo preto" um tasco com alma bem Portuguesa, vendem-se cachorros e bifanas em papo secos, sagres e superbock, há posters e galhardetes pendurados do benfica, os quartos ficam por cima como no oeste, o tasco enche com a paragem das camionetas que vão para o Huambo , para Benguela ou para o Lubango, para logo ficar vazio até que chegue a próxima carreira. Até ao Lubango falta a outra metade do caminho, e outro tanto até ao Namibe. Daqui para frente a estrada que se vinha revelando como uma boa surpresa tornar-se-ia uma verdadeira prova de resistência.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Na manhã seguinte deixamos Benguela ainda cedo, apetecia ter estado um pouco mais, fiquei com a sensação de poder viver ali, tudo me parecia muito familiar, a arquitectura popular do sul de Portugal construída até meados do século XX transplantada para o centro de uma cidade tropical e a arquitectura típica dos anos 60 dos novos bairros periféricos de Lisboa, que marcam ali também perfeitamente as áreas de implantação da habitação que serviu o grande êxodo dos Portugueses para África por essa altura. As construções de tons pastel agora despintados mas neste caso particular quase intactos, sem nada que se tenha erguido por perto que perturbe o enquadramento faz-nos em cada quarteirão viajar no tempo. Sem mais nostalgias esperavam-nos algumas boas centenas de quilómetros por estradas que nunca se sabe bem ao certo se chegam ou não ao Namibe, antiga cidade de Mocâmedes bem no sul de Angola. Pelo caminho não há tempo para paragens, menos ainda para desenhos que só seriam passados para o papel depois de gravadas na memória visual as imagens das cantinas de beira de estrada, dos embondeiros e dos Kupapata que passavam ao lado com ou sem clientes no selim da motocicleta.

domingo, 30 de dezembro de 2012

A saída atrasada de Luanda já perto da hora do almoço implicou um andamento rápido e sem paragens até Benguela. Esperava-nos pouco mais de 400 quilómetros pela frente, cerca de sete horas de viagem que não cabiam nas horas que restavam do dia. Todas as advertências dadas para não se viajar de noite começaram por não se cumprir. Paragens obrigatórias a sul de Luanda como o Miradouro da Lua ou Cabo Ledo a sul do Kwanza, baía imperdível onde as ondas partem de uma forma perfeita e regular para a esquerda com a possibilidade de serem surfadas por mais de 500 metros, foram com muita pressa e frustração ignoradas. A noite caiu brusca e tormentosa antes de chegar ao Lobito com uma tempestade tropical que mal deixava ver o caminho e nos tornava vulneráveis a todos os perigos reais que aqui estrada representa, pouco tempo adiante à chegada a Benguela já com tempo seco, a amabilidade de um motociclista que nos conduz ao hotel faz-nos perceber que chegamos a uma outra Angola, bem mais calma e aprazível que a que tinha-mos deixado na hora do almoço. Benguela tem uma arquitectura e o encanto de uma cidade algarvia antes da euforia turística, como neste charmoso de um certo gosto colonial-nostálgico Clube da Praia Morena onde apesar da hora tardia amavelmente ainda nos serviram o jantar.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Seguia-mos no pequeno Chevfrolet sempre bem atentos às luzes de travagem e às guinadas do Nissan Pathfinder que ia na frente como batedor. Em África desconfia-se sempre das boas pistas, quando aparentemente se pode rolar com velocidade, surgem buracos, abatimentos de terra, árvores caídas ou animais que se atravessam nos lugares mais improváveis. À saída de Luanda os embondeiros que passam rápido pela janela marcam a paisagem que se vai seguir, percebo que o desenho nesta viagem não vai ter grande hipótese de acertar o passo com o que se passa do lado de lá do vidro do banco traseiro.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O carro que ficou combinado para viajar alguns milhares de quilómetros em Angola foi sempre um incerteza,demorou a chegar até que lá apareceu luzidio quase novo numa manhã já tardia para quem teria Benguela como destino para um só dia. As estradas estão agora bastante melhores do que há pouco tempo atrás, mas a estação das chuvas mal tinha ainda passado e deixara um rasto de estradas cortadas, pontes quebradas e uma infinidade de desvios por picadas que implicavam a tracção total. Esse era apenas o atributo do Nissan emprestado pela televisão de Angola, o pequeno Chevrolet alugado para circular na cidade teria que seguir atrás desse lá por onde desse.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Hotel Pôr do Sol à saída da cidade de Luanda, junto a um braço de mar calmo e quente. Junto da esplanada o Realizador ensaia o som da minha voz que iria depois entrar em off, logo atrás cisnes gigantes de fibra de vidro parecem olhar a cena. Os dias em Luanda terminavam neste ambiente bem mais Calmo na companhia dos cisnes e das gentes locais que chapinhavam nas imediações do hotel. Aqui na zona de Benfica, saída sul da cidade de Luanda o preço de duas horas de trânsito para lá chegar era amortizado nos preços exorbitantes das diárias praticadas mesmo nos hotéis ditos mais acessíveis, uma média de 400 dólares no centro da cidade baixava naquela zona para cerca de metade.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Durante a década de 80 em plena guerra muitos milhares de angolanos fugiram para Luanda onde havia maior segurança. De forma expontânea gera-se um enorme mercado na Boa Vista que ficou conhecido como o Mercado do Roque Santeiro, provavelmente a maior e mais exótica manifestação dos princípios fundamentais do capitalismo a ideia do "livre mercado" estava ali explicita da forma mais crua e bruta. Lá se vendia tudo sem restrições, desde armas a remendos para a bicicleta, craneos de macaco ao lado do último gadjet da microsoft. O Roque foi agora transladado para a zona de Panguila de uma forma igualmente anárquica e lamacenta onde o azul turquesa dos candongueiros que se atravessam pelo meio dos vendedores, se confunde com os padrões das capulanas.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Ao fim do segundo dia em Luanda começo a perceber que as oportunidades de desenho se resumiam aos tempos de esplanada. A Luanda caótica ficava do lado de lá do vidro do carro atascado em engarrafamentos caóticos, sem oportunidade de chegar às paginas do caderno. Aqui numa esplanada à noite perto da ponta da ilha, o guia da TPA que nos acompanharia em Angola despede-se da sua mulher e da Filha recém nascida.

domingo, 11 de novembro de 2012

Os primeiros dias em Luanda foram passados sob um calor insuportável e até tudo se aprontar com as devidas autorizações para se poder filmar, passaram-se horas de espera em lugares mais cosmopolitas onde se podia comer comidas rápidas assim como cá mas a preços de lá e que de sabor a África pouco tinham.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Levei vários cadernos "Ketta" para África com vários tamanhos para as várias ocasiões, um formato estranho próximo do A4 para desenhos com mais tempo e mais cerimónia, um mais pequeno para o bolso lateral das calças e outro mais pequeno ainda para intervenções rápidas que levava no bolso da camisa. Foi esse que saquei aqui no Miramar Burger no bairro "chic" de Miramar. O mais em conta e que se encontra mais parecido com um Mac ou com um King mas em género Cova da Mora style.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O Sky- Line da Baía de Luanda está a mudar muito rapidamente, o que resta dos antigos edifícios coloniais ainda pode ver-se do lado de lá do taipal dos estaleiros, esperam a ordem de despejo para desocupar e dar lugar aos arranha céus que crescem alto e a bom ritmo com a mão de obra frenética dos chineses. Não existe qualquer vontade histórica, estética ou política para se recordar o passado colonial, a memória ficará enquanto durarem os álbuns das nossas famílias e os bilhetes postais da baía de Luanda com a cor kodacrome também ela a sumir-se.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

"Às 9 horas da manhã do dia 6 de janeiro de 1884, Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens embarcam a bordo do vapor S. Tomé e dão início à última das grandes aventuras de Portugal. Como destino, Luanda. Como objetivo, ligar, por terra, as províncias de Angola e Moçambique." 127 anos depois, esse era também o nosso objectivo, reconstituir por meios agora bem mais cómodos a viagem de Capelo e Ivens e realizar um documentário para a RTP2. A equipa com os recursos mínimos e pouco dinheiro no bolso também partiu por Africa a dentro numa aventura sem grandes certezas do que iria hoje encontrar pela frente e eu com menos certezas ainda enquanto estreante no papel de narrador. Chegámos à baía de Luanda em Abril de 2011, este foi o primeiro de uma série de desenhos tortuosos que passo a apresentar aqui, feitos debaixo de um sol abrasador e de uma temperatura insuportável. Logo no primeiro dia de rodagem me apercebi o que daí para a frente me esperava durante cerca de um mês, mas também que os desenhos que considerava ser a razão de eu ali estar, afinal eram só decór, se não os acabasse não fazia mal o importante era passar rapidamente para a cena seguinte, decorar o guião e seguir para a frente porque havia milhares de quilómetros para rodar e muitas cenas para rodar também.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Este é o caderno que se segue. Trata-se de um puro capa dura forrado a lona vermelha fabricado amadoramente pelo autor, papel cortado a partir de fabrianos brancos e amarelados de formato Aproximado A1, dobrados até ao formato de bolso 18x14cm. Este caderno apresentado nas postagens abaixo já conta com algum tempinho começa com o melhor da festa, nas férias em Agosto de 2010 e acaba com a rentrée escolar em 29 de outubro do mesmo ano.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Breve espaço publicitário entre o fim e o começo do próximo caderno para anunciar o próximo curso de ilustração do agora CIEBA na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. O curso tem a duração total de 128h às terças e quintas das 18h30 até as 22h30, é monitorizado por mim e composto por vários módulos temáticos sendo o ultimo da responsabilidade de um ilustrador convidado. Vários "ilustres" com ilustradas propostas por lá têm passado tais como: Richard Câmara, Yara Kono e para este ano novamente Bernardo Carvalho A ilustração do cartaz é de Luís Frasco que frequentou o ultimo curso. O curso destina-se a todos os interessados por ilustração que queiram desenvolver um trabalho criativo e orientado nesta área, funcionando num regime de cursos livres que a Fbaul promove aberto a todas as pessoas dentro e fora da faculdade. Começa já na próxima segunda feira dia 17 e as inscrições terminam amanhã, ainda que se aceitem inscrições até ao final da semana.
As crianças que vivem hoje em contextos urbanos mais ou menos burgueses como a minha, são inevitavelmente encharcadas por brinquedos de todos os tipos e feitios que já nem sabem que têm. Arrumam-se enquanto houver cantos para arrumar, inventam-se marquises quartos especiais, improvisam-se gavetas e prateleiras que se empilham a caminho do tecto até se tropeçar num par de patins que rola na sala ou em canetas de feltro já secas que dão cor às assoalhadas. No meio do entulho emerge um urso farrusco sem pilhas nem outros artifícios, o mais simples e clássico dos teddy bears, sempre sujo e malcheiroso, se fosse vivo questionaria se não teria mesmo sarna, mas é esse inexplicavelmente que há dois anos para cá, sem ele não dorme nem come, não sai de casa, não vê o canal panda e não sossega o coração.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Agora que a época vai melhor do que nunca anuncia-se o fim dela, com as campanhas do regresso às aulas há quem já tenha comprado os livros de escola e embrulhado a toalhinha no topo do armário como quem embrulha as figuras do presépio até ao próximo ano. Tenham calma a praia começa agora!

domingo, 12 de agosto de 2012

Chega Agosto e é isto! Quantas pessoas só vão à praia em Agosto? Quantas estão programadas para só sentir o apetite do mar em Agosto? Quantas dobram a toalha e arrumam o material de praia como as figuras do presépio para a próxima época! Temos sol de Maio a Novembro mas é em Agosto que não temos lugar para parar o carro nem para estender a toalha,

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Não há espaço tão livre e democrático como a praia, despir e deitar no chão é em si manifestamente um acto de pura libertação e ocupar um espaço sem regras e limites estipulados também! E se todas as democracias funcionassem tão bem como na praia!?

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Antes de escamar a pele avermelha.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Há 10 anos já não morava ali ninguém, havia apenas umas ruínas, uma pequena vila fantasma numa terra onde seria bem improvável alguém ainda passar. Já existia um desvio em alcatrão para quem viesse da Carrapateira, mas o atalho até Budens fazia-se em terra. Até que... Uns freaks alemães começaram ali a fazer umas pizzas num forno de lenha e a cena pegou! 10 anos passados continua-se a fazer enormes listas de espera para as mesmas pizzas que só são apenas mais umas pizzas em ambiente hippie chic no meio de uma vila "Burgeois Bohème" recuperada artificialmente para parecer o que certamente nunca chegou a ser mas que naturalmente satisfaz a quem paga bem para se instalar numa encenação da vila bem portuguesa como julgamos que seria no princípio.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O Buggy não apanha escaldas mas nós sim! É agora que o corpinho mais estranha o sol, depois da valente travessia de um inverno sempre encoberto andar ao léu faz das suas! Por estas e por outras, nesta altura os desenhos também saem sempre vermelhos (ver págs 136/137 Livro tanto Mar).

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Passei o dia em Lisboa, o mais perto da praia foi chegar a casa e dar um mergulho nesta imagem do verão passado

sexta-feira, 13 de julho de 2012

A passagem da luz na Arrifana é também a passagem de um cenário para outro, de manha as arribas escuras, projectam sombra no areal e contrastam com o verde intenso da baía. De tarde tudo se esbate de forma ofuscante e as arribas ganham a cor do ouro.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Já se houve as fofocas da tia Amélia e da Maria José, e os gatos que miam e as galinhas que chocam na arriba e o chinelar de quem atravessa favela acima favela abaixo e as gaivotas do porto e as vozes ao longe na praia e os destroços das espinhas do gato que ficaram no prato e o Buggy que fugiu outra vez e quem vai ao pão hoje e quem faz as brasas e quem lava a loiça e a coluna do portátil que só canta pimba e a quinzena do ano que está quase a chegar.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Breve intervalo na sequência das paginas do caderno que se segue, para apresentar o livro Tanto Mar que eu e o Pedro Adão e Silva, lançamos hoje na Livraria mais antiga do Mundo! 18h30 Livraria Bertrand do Chiado.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Já vejo as sombras do estendal, já sinto o cheiro das brasas e o murmurar das ondas, já vejo as férias no horizonte e ao fundo a pedra da agulha.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Os desenhos ficam mas as cores mudam, ontem passei lá em Cabo Ruivo e o prédio já não é mais amarelo nem os pneus estão mais à porta.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Costumavam montar arraiais nos largos das feiras, que deixaram de ter feiras porque se calçaram com calçada portuguesa e se relvaram os canteiros. Cães de pedigree à trela, passeiam agora junto dos donos de saquinho na mão que escapam à surpresa dos disparos dos pivôs de rega automática no lugar onde antes a nortada levantava a poeira do recinto onde se espetavam as estacas. Os espectáculos populares mudaram a logística e o conceito, a herança estética neo realista “Feliniana” envergonha hoje os responsáveis autárquicos. O feitiço virou-se contra o feiticeiro, foi o Poço da morte que morreu, o Circo moribundo foi montar a tenda para longe e a Praça de Touros que se armava e desarmava conforme a época, foi parar á beira de uma estrada algures numa terra de ninguém. Foi tudo armar barraca para longe daqui, longe das autarquias, longe das gentes e do largo da feira da terra onde se armava antes.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Virar o caderno ao contrário entre aguaceiros num memorável encontro que juntou mais de 200 pessoas a desenhar a Rua Augusta. O desenho embora turístico quase foi cabeça de cartaz e antes de chegar aos desenhos do dia chegou às paginas do livro dos USK pelo mundo editado este ano.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Quando não se passa mais nada, pelo menos que passe o desenho no comboio.