quarta-feira, 23 de julho de 2014

Quando se desligava o motor da estável chata de chapa à deriva, acertava-se o passo com a corrente constante do Rio, só assim o tempo parecia parar, só assim também o silêncio parecia poder ouvir-se, flutuava-mos à velocidade das ilhas de vegetação que se desprendiam das margens, os crocodilos mantinham-se assim serenos os hipopótamos também, parecia que só o motor desligado podia fazer sincronizar a nossa estranha presença com a vida do Zambeze. Perguntei a quem de pé pescava numa instável piroga que se volta até com a esteira de uma pequena embarcação como a nossa, se não tinham medo de pescar ali com os crocodilos, esperava uma resposta segura e confiante de quem com experiência e desenvoltura dominava aquele meio, mas a resposta do pescador desarmou-me _" Sim tenho, mas se não pescar quando voltar a minha família não tem de comer"

3 comentários:

nelson paciencia disse...

Bolas, olhar para o desenho e imaginar o sentido da frase do pescador na piroga é absolutamente arrepiante. Um extraordinário momento.

Rui Machado disse...

África. Bela descrição.

Baleia disse...

Então?! perdeste-te nos encantos do facebook e já não queres saber do blog?...
(ahaha, na verdade, o meu também tem estado bastante estagnado...)

bjnhs!!

a proposito, os teus "bonecos" dos últimos posts são liindos!!