quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Em geral não entendemos o aconselho "dedica-te à pesca" com bons olhos. Durante o tempo deste desenho não vi ninguém puxar a linha, não dei por nenhuma agitação à superfície que não fosse o rodopiar das taínhas, não ouvi sequer o girar dos carretos. Pescar deve ser como desenhar o que conta são os momentos introspectivos de alta concentração, de fixação de um olhar às vezes quase hipnótico, como a sensação de olhar para as taínhas.
No tempo deste desenho convenci-me que já estive bem mais longe de me dedicar também à pesca.

7 comentários:

Eduardo Salavisa disse...

Os teus últimos textos, tal como outros para trás, são deliciosos. É autêntica pesca à linha, ou seja, procurar as palavras certas.

hfm disse...

Belíssimo desenhos mas, como diz o Eduardo, o texto é fabuloso.

Qualquer dia ainda te vejo não na prancha mas numa das muitas rochas lá da terrinha aparentemente ausente borbulhando na interioridade - tua e da maresia.

Filipe LF disse...

Grandes desenhos e grandes pensamentos.
A pesca tem qualquer coisa das grandes viagens sonhadas e nunca concretizadas, não te parece?

annie hall disse...

O desenho está como sempre fabuloso .A figura do homem isolado de mãos atras das costas é um mimo !

José Louro disse...

Que desenho...lembro-me deste dia caro amigo.

saul-de-carvalho disse...

Muito bom. Como já disseram o texto não fica atrás.

Baleia disse...

Lindos! para variar...

bjnhs!