quinta-feira, 29 de abril de 2010

É bom ter pancadas!
Sempre salvaguarda algumas motivações futuras.
Sempre se tem algum assunto para preencher as reformas, algumas até chegaram antes do tempo.
Este holandês gozava aqui no sul de Portugal, o melhor que a boa segurança social do norte tem ainda para oferecer.
Um verdadeiro "tifosi" das corridas só podia viver numa casa com rodas, para onde o circo for, ela vai também.
A "hymermobile" chegará primeiro para estacionar no melhor ângulo na melhor curva do próximo circuito.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Nas corridas dos clássicos andavam também por lá umas meninas a passearem-se de guarda sol mas que, não tinham nada de "retro".

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Enquanto hoje as Mega empresas de comunicação disputam entre si números em Megas que traduzem velocidades Mega abstractas que ninguém na realidade sabe avaliar ou comparar, o grande desafio dos construtores de automóveis do princípio até meados do século XX era não só bater records de velocidade como fabricar máquinas fiáveis que pudessem ganhar provas, que em alguns casos eram autênticas maratonas kilométricas.
O desenvolvimento de um país avaliava-se também por aí, pelo domínio da velocidade que neste caso media-se lado a lado, curva a curva até ao xadrês da bandeira que cortava a meta.
Antes dos grandes "sponsors" tomarem conta, cada país tinha as suas escudarias e as suas cores.
Ir às corridas era também torcer por um país, as máquinas foram até ao pós guerra um excelente veículo de propaganda nacionalista.
O Reino Unido pintou a Jaguar de verde, a Porsche e a Auto Union alemã eram prata, a Ferrari e a Alfa Romeu inevitavelmente vermelha e a França tão turquesa como este Bugatti.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Nas boxes estas feras num ápice passam do estado do dormência para uma histeria colectiva.
Quando se ligam os motores o barulho é gritante, infernal, animal, brutal, de arrepiar, de fazer ranger os dentes, vibrar as paginas do caderno e ter chots adrenalínicos.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Estes são carros do tempo em que eu brincava com carrinhos, lembro-me de me terem oferecido uma miniatura igual da Solido azul turquesa, abria o capot traseiro de onde se podia ver os detalhes do motor, agora pude comprovar como perfeita que era. Os nomes de quem os pilotava na época não me eram estranhos, Henri Pescarolo e Gérard Larrousse tinham levado em 1974 estes Matra Sinca 670 à vitória nas 24 Horas de Le Mans.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Desta vez tinha de ser rápido muito rápido troquei até a ponta de pincel sintético da minha "Pentel" por uma ponta de pincel de feltro,"Sakura waterproof" mais rápida e eficaz para estas curvas. Assim os desenhos podiam acompanhar a velocidade com que os carros entravam e saíam das boxes e todo trabalho que ali se fazia, durante o festival internacional de corridas de clássicos dos anos 50 aos anos 80 que decorreram no novo autódromo de Portimão em Outubro passado.
O repórter do pincel esteve lá a convite da organização para fazer a cobertura do evento em cadernos!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Há muito tempo que o surf reside por estas bandas, antes dos Portugueses nos anos 70 foi destino de Ingleses, Franceses e Australianos que vinham por aí fora e aqui paravam as "pão de forma" enquanto desciam a costa a caminho de Marrocos e de uma onda perfeita. Tal assim foi, que até se mudaram nomes às praias. Super tubos que nos próximos anos vai continuar a receber a formula 1 do surf mundial, é hoje o nome oficial bem explicito nas placas de estrada, da praia de Medão Grande.
O palanque dos júris correu atrás das melhores condições, o "pico(1) da mota" fora descoberto e deixara de ser um "secret spot"(2). Chamaram-lhe o woodstock português, no meio do nada milhares de pessoas percorreram kilómetros no areal atrás do rei Kelly Slater"(3), sabia-se que o heat dele estava perto, a todo o momento poderia ser visto a correr para as ondas.
(1)"pico" lugar onde a onda quebra
(2)"secret spot" os surfistas cultivam a ilusão de serem os únicos a conhecer certas ondas.
(3)"Kelly Slater" em 20 anos 9 vezes campeão do mundo.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Foi por estas bandas perto do pico da mota que a "Amarela" antes de recolher para a passagem do inverno, armou a tenda que trás sobre o tecto, ao lado de um hotel de luxo, paredes meias com umas barracas!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Estava-mos em finais de Outubro, este foi o primeiro dia em que o inverno mostrava um pouco da sua (des)graça, se nessa altura soubesse que as trevas não iriam dar tréguas até Abril tinha emigrado!
O circo do campeonato do mundo esteve montado em dois palcos, nos Super tubos e aqui no Baleal, no dia anterior o mar tinha feito das suas e deu um valente prejuízo à feira montada nos Super. Valeu o palco do Baleal que se manteve de pé.
O mar parece não gostar destas estruturas armadas, eu também não, são feias já era tempo de se montarem coisas com menos ar de "metalomarquises" no melhor estilo Agualva-Cacém à beira mar plantadas indiferentes há natural beleza dos lugares.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

No espaço de uma geração (a minha) marcas completamente artesanais, locais, para não falar "de bairro" tornaram-se gigantes mundiais com enorme peso na bolsa internacional, não sabemos se foram na esteira daquele que foi o desporto que mais cresceu no século que findou, ou se elas mesmo é que proporcionaram esse crescimento.
Marcas essas ligadas directamente ao surf, para não falar de outras, essas sim aproveitando e cavalgando a enorme "boa onda" deixada pela esteira que o surf ligado há imagem de evasão liberdade cor e juventude vai arrastando.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O cimo desta pequena duna foi o ponto estratégico para se montar toda a artilharia pesada que fizeram as melhores fotos do dia em que o Rei se bateu com um australiano.
O surf é também uma grande encenação com todo o cenário do espectáculo perfeitamente montado.
Num instante a praia virou uma enorme plateia, onde neste espectáculo grande parte dos espectadores são também actores. Enquanto assistem ao espectáculo esperam que toque a corneta que fecha o ultimo heat para então passarem também a actuar no enorme palco azul que têm pela frente.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O surf é uma experiência, uma expressão, uma actividade, uma performance, uma sensação, uma espiritualidade, enfim, qualquer coisa que nos agarra às vezes desde muito cedo e de uma forma permanente e inexplicável nos move, molda, muda e direcciona a nossa vida.
Mas é também de alguma maneira redutora, como modalidade desportiva, com avaliações numéricas, "rankings", marcas, federações, circuitos, atletas e heróis que viraram mitos, que o surf tanto cresceu e se tornou popular ao ponto de juntar aqui durante o Campeonato do Mundo em Peniche, neste dia no "pico da mota" nos "Belgas" algures entre o Baleal e o Bom Sucesso, numa terra do nunca e de ninguém algumas milhares de pessoas para ver o "heat" daquele que não deixa dúvidas ser o maior surfista de todos os tempos.
O Rei Kelly Slater de licra vermelha vinha aqui perder para o australiano (Owen Wright) de licra amarela.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Este ano as aulas de Ilustração Científica dos cursos do CET na ESAD nas Caldas da Rainha correram ainda melhor, os alunos foram altamente participativos, todas as semanas muita coisa passou por aquelas mesas. houve quem trouxesse cogumelos com as mais diversas cores e feitios e níveis de toxidade, crâneos de cabras e coelhos, fichers campeões nacionais que se mantinham imobilizados à voz do dono e muito mais...
Houve quem trouxesse texugos!
As aulas de ilustração científica são feitas à unha!
Os computadores são arredados para darem lugar aos bichos embalsamados, e para que as folhas de desenho se possam espraiar.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Há cerca de um ano atrás anunciava-se a saída de um novo Jornal diário, estranhamente havia ainda um país na Europa, curiosamente aquele que menos lê jornais, que arriscava num novo matutino. Ainda o nome não estava divulgado e já havia trabalho para os Portugueses que tinham sido vistos nos "UrbanSketchers". Calhou-me registar o Bairro Alto durante 5 dias ou 5 noites pelo mesmo prisma sem sair do lugar. Este caderno (encadernação da papelaria da moda, papel cavalinho,formato A5) foi comprado especialmente para o efeito. A reportagem para dupla página não chegou às bancas, mas chega agora ao Blog. Serviu para isso mesmo, tal como depois o passeio "pelos caminhos da água em Carcavelos", serviram para verdadeiramente avaliar a experiência do que é estar, e do que é apenas passar. Dar um pouco da nossa disponibilidade para ESTARMOS nos lugares por onde passamos sempre e parar e VER o que ali sempre esteve e nunca vimos.

terça-feira, 23 de março de 2010

19h45
No tempo de um desenho, a noite cai quando o Bairro parece acordar.
Colocam-se mesas que se equilibram na calçada irregular, desfralda-se a bandeira
de um bar de esquina, os clientes que abrem a noite começam a chegar.
14h45
Naquela mesma esquina à hora que o sol invade o Bairro, nada se parece passar.
Os contornos, as cores e os contrastes são de tal maneira diferentes que aquele lugar não parece ser o mesmo.
Mas os elementos estão lá todos, o furgão deve residir ali, as paredes, os graffitis,
e as varandas são as mesmas, o estendal é que mudou.
Agora terá sido a Dona Conceição a fazer uma máquina de roupa!
De repente, toda a calma é bruscamente perturbada, caem pombos em vôo picado, passa alguém que discretamente leva a mão ao bolso e espalha um resto da cesta
do pão do almoço pelo chão.
Eventualmente terá sido o acontecimento do dia, naquela esquina naquela hora.
14h45
No dia seguinte à mesma hora.
Espero novamente no mesmo lugar que algo aconteça, na esquina da Rua da Barroca com a Travessa da Espera.
No tempo de um desenho nada se passou, nem mesmo para os pombos que assim lá do alto, permaneceram vigilantes sem motivo para vôos picados.

segunda-feira, 22 de março de 2010

19h45
À hora do desenho, o sol no Bairro já vai baixo, mal conseguia penetrar nas ruas.
Aquela esquina estava já à sombra, os olhos fixaram-se num ultimo recorte de luz que restava ao fundo da rua, sinal de que o Bairro está prestes a mudar de pele.
Aos residentes fecha-se o pequeno comércio, aos de fora abrem-se os bares.
Enquanto isso o canito ali residente ocupa o seu lugar na nesga de sol que resta, junto
à parede “grafitada” e curiosamente deita-se por baixo de um “tag”.
Loser!
02h00
É no pico da diversão quando os ânimos estão mais quentes e a noite ainda tanto promete que naquela esquina se fecham as portas dos bares.
No tempo de um desenho as pessoas deixam o cruzamento, descem a rua em mira de novas paragens. Mas há sempre quem fique aqui e acolá terminando conversas, curando bebedeiras, ou prolongando namoros.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Cerca de meia centena de pessoas, carcavelenses, ex carcavelenses, curiosos vindos de outras paragens alguns também armados de caderninhos para desenhos de caminho, como o Eduardo e o Filipe invadiram o pátio de uma das casa populares centenárias na Rebelva.
O pátio já foi também eira, assenta sobre uma única laje natural onde se foram acomodando as pessoas para a primeira lição.
Os caminhos da água começavam ali, a laje sólida que servia de palco à palestra, fora durante séculos polida e trabalhada pela erosão provocada pelos agentes naturais. Daí até à praia a água foi encontrando os seus caminhos, por aí conseguimos reconstituir um pouco do que terão sido os primeiros núcleos urbanos. Da morfologia à geologia, às cores da terra do barro e da pedra, das vinhas ao generoso vinho de Carcavelos, das velhas quintas de regalo aos empreendimentos Salvação Barreto e à floresta de betão que lhes seguiu, daí foi um passinho, até que as vias rápidas cortassem a toda a velocidade as quintas aos pedaços, tudo ou quase tudo também neste pequeno pedaço de história que foi a minha geração e o tempo em que aqui vivo.

domingo, 14 de março de 2010

A Quinta da Alagoa é hoje um espaço verde muito bem cuidado, o melhor de Carcavelos e talvez um dos melhores da linha, é aqui que, seguindo os caminhos da água ela se espraiou numa bela lagoa com gansos, cisnes, patos e tartarugas. Mas esta Quinta é também hoje um espaço asfixiado, cercado por uma muralha de prédios incaracterísticos construídos no início dos anos 80. É fácil passar por Carcavelos sem se dar com ela, escondida nas traseiras de tudo, do quartel dos bombeiros, dos prédios virados a nascente, a poente a norte e a sul.
Vá lá que esta não desapareceu com tantas outras quintas de Carcavelos, mas passou de Quinta a quintalinho.

segunda-feira, 8 de março de 2010

A lição em Carcavelos continuou por onde o caminho da água nos levou, fomos dar com a mais mítica árvore da Quinta da Alagoa, o Dragoeiro.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Arquitectura de veraneio do princípio do séc. XX, os Chaletsda Rua do Loureiro.

quarta-feira, 3 de março de 2010

A comitiva presta uma vénia ao velho pereiro.
"A caminhada vai passar junto ao mercado para nos encontrarmos com outra memória viva. Numa pequena passagem entre o mercado e os prédios há uma árvore, um pereiro, notável que, quando eu vim para Carcavelos, há 42 anos, já lá estava e tinha um porte não muito diferente do que tem hoje. Faz poucos anos que sofreu uma poda forte que o remoçou.
Cada ano lhe admiro as flores, logo seguidas das folhas novas e dos frutos. Ao princípio caem muito, e poucos chegam a amadurecer.
É duma variedade de frutos pequenos gostosos, um pouco ásperos mas perfumados, muito atreitos ao pedrado das pereiras. Creio ser uma variedade bem antiga. As folhas e a forma dos frutos fazem lembrar as da variedade piraster da pirus communis, uma planta espontânea em Portugal, conhecida por pereiro, pereira-brava, catapereiro e escambroeiro e tida como um dos progenitores de inúmeras variedades cultivadas."
Excerto escrito pelo Prof. Fernando Catarino, retirado do pequeno livro de cordel que serviu de guia do percurso.

terça-feira, 2 de março de 2010

Lamentavelmente vimos na Madeira o exemplo da devastação que os caminhos da àgua podem causar a uma ocupação indevida desses percursos. No ano passado o Professor Fernando Catarino (meu pai) conduziu uma caminhada sobre o tema "Carcavelos os caminhos da àgua".
Por estes percursos conseguimos reconstituir as primeiras estruturas urbanas, que sempre souberam lidar com as adversidades climatéricas até que a especulação imobiliária falasse mais alto.
Aqui na "Quinta Nova" mais tarde chamada "Quinta dos Ingleses" onde estes se instalaram para instalarem o cabo submarino, se fez a primeira ligação telefónica no país e se jogou pela primeira vez futebol no primeiro campo construído em Portuga para este fim.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Mais sessões empalhadas e desenhos embalsamados.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Exército vermelho!