segunda-feira, 29 de março de 2010
terça-feira, 23 de março de 2010
Naquela mesma esquina à hora que o sol invade o Bairro, nada se parece passar.
Os contornos, as cores e os contrastes são de tal maneira diferentes que aquele lugar não parece ser o mesmo.
Mas os elementos estão lá todos, o furgão deve residir ali, as paredes, os graffitis,
e as varandas são as mesmas, o estendal é que mudou.
Agora terá sido a Dona Conceição a fazer uma máquina de roupa!
De repente, toda a calma é bruscamente perturbada, caem pombos em vôo picado, passa alguém que discretamente leva a mão ao bolso e espalha um resto da cesta
do pão do almoço pelo chão.
Eventualmente terá sido o acontecimento do dia, naquela esquina naquela hora.
segunda-feira, 22 de março de 2010
À hora do desenho, o sol no Bairro já vai baixo, mal conseguia penetrar nas ruas.
Aquela esquina estava já à sombra, os olhos fixaram-se num ultimo recorte de luz que restava ao fundo da rua, sinal de que o Bairro está prestes a mudar de pele.
Aos residentes fecha-se o pequeno comércio, aos de fora abrem-se os bares.
Enquanto isso o canito ali residente ocupa o seu lugar na nesga de sol que resta, junto
à parede “grafitada” e curiosamente deita-se por baixo de um “tag”.
Loser!
É no pico da diversão quando os ânimos estão mais quentes e a noite ainda tanto promete que naquela esquina se fecham as portas dos bares.
No tempo de um desenho as pessoas deixam o cruzamento, descem a rua em mira de novas paragens. Mas há sempre quem fique aqui e acolá terminando conversas, curando bebedeiras, ou prolongando namoros.
quinta-feira, 18 de março de 2010
O pátio já foi também eira, assenta sobre uma única laje natural onde se foram acomodando as pessoas para a primeira lição.
Os caminhos da água começavam ali, a laje sólida que servia de palco à palestra, fora durante séculos polida e trabalhada pela erosão provocada pelos agentes naturais. Daí até à praia a água foi encontrando os seus caminhos, por aí conseguimos reconstituir um pouco do que terão sido os primeiros núcleos urbanos. Da morfologia à geologia, às cores da terra do barro e da pedra, das vinhas ao generoso vinho de Carcavelos, das velhas quintas de regalo aos empreendimentos Salvação Barreto e à floresta de betão que lhes seguiu, daí foi um passinho, até que as vias rápidas cortassem a toda a velocidade as quintas aos pedaços, tudo ou quase tudo também neste pequeno pedaço de história que foi a minha geração e o tempo em que aqui vivo.
domingo, 14 de março de 2010
Vá lá que esta não desapareceu com tantas outras quintas de Carcavelos, mas passou de Quinta a quintalinho.
segunda-feira, 8 de março de 2010
quarta-feira, 3 de março de 2010
"A caminhada vai passar junto ao mercado para nos encontrarmos com outra memória viva. Numa pequena passagem entre o mercado e os prédios há uma árvore, um pereiro, notável que, quando eu vim para Carcavelos, há 42 anos, já lá estava e tinha um porte não muito diferente do que tem hoje. Faz poucos anos que sofreu uma poda forte que o remoçou.
Cada ano lhe admiro as flores, logo seguidas das folhas novas e dos frutos. Ao princípio caem muito, e poucos chegam a amadurecer.
É duma variedade de frutos pequenos gostosos, um pouco ásperos mas perfumados, muito atreitos ao pedrado das pereiras. Creio ser uma variedade bem antiga. As folhas e a forma dos frutos fazem lembrar as da variedade piraster da pirus communis, uma planta espontânea em Portugal, conhecida por pereiro, pereira-brava, catapereiro e escambroeiro e tida como um dos progenitores de inúmeras variedades cultivadas."
Excerto escrito pelo Prof. Fernando Catarino, retirado do pequeno livro de cordel que serviu de guia do percurso.
terça-feira, 2 de março de 2010
Por estes percursos conseguimos reconstituir as primeiras estruturas urbanas, que sempre souberam lidar com as adversidades climatéricas até que a especulação imobiliária falasse mais alto.
Aqui na "Quinta Nova" mais tarde chamada "Quinta dos Ingleses" onde estes se instalaram para instalarem o cabo submarino, se fez a primeira ligação telefónica no país e se jogou pela primeira vez futebol no primeiro campo construído em Portuga para este fim.
segunda-feira, 1 de março de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
sábado, 13 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
O mármore das paredes, as velhas madeiras os espelhos gastos e as cadeiras sólidas, deram lugar aos abajures e às madeiras prensadas do mais moderno estilo IKEA. Vá lá, valha-nos a posta de bacalhau com grão para manter a tradição.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Depois houve uma moda de Dobremans, seguida de Rottwailers, depois vieram Labradores agora estão aí os Jack Russel Terriers. Não tenho nada contra as modas de cães, são todos lindos, fico é sempre um pouco apreensivo quando olho para donos particularmente sensíveis aos fenómenos das modas caninas, se a moda durar menos que o tempo de vida do cão o que é que eles fazem aos cães?
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Nos anos setenta a agricultura, mas sobretudo a emigração e a construção substituiram a principal actividade destas gentes que gradualmente foram deixando a pesca do rio que deixara de ser rentável. Estas pequenas comunidades entraram em declínio a maior parte das habitações ficaram ao abandono ou foram destruídas. Hoje existem ainda algumas genuínas e outras tantas para turista ver.
Dei a volta a pé pela única rua circundante da Palhota, após o almoço de um dia sombrio de junho havia carcaças de barcos de madeira podre debaixo das àrvores junto ao rio, havia também alguém a reparar um exemplar destes que ainda tinha recuperação, algumas famílias falavam em francês, vieram de férias verão reacender memórias e trouxeram os mais pequenos, netos e filhos que não chegaram a viver aquela realidade e para quem aquele lugar deve ser um outro planeta, um letreiro pintado em azul sobre um resto de um casco, por cima do ùnico tasco, avisava hoje há sável!
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