segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Este é o painel de instrumentos da velha nave amarela que me levou primeiro de Lisboa a Chaves, depois de Chaves a Faro e finalmente de Faro novamente a Lisboa, numa viagem em tom de reportagem sobre a EN2, feita em Julho passado e publicada no jornal "i" durante 4 dias no princípio de Setembro.
Apresento agora aqui e de forma integral a viagem pela estrada Nacional 2 em sentido inverso, ou seja de Faro até Chaves de forma a respeitar a estrutura deste blog que apresenta os cadernos de trás para a frente para que no fim tenha uma leitura sequencial lógica.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Caderno amavelmente oferecido pela minha ex aluna "Norma"
pouco tempo depois de durante uma aula ter explicitamente gabado o seu caderno (igual a este)!
Excelente encadernação portuguesa, capa 30x21cm, com cantos reforçados, forrado em papel fantasia, miolo em papel cavalinho.
O caderno esteve "ao serviço" entre Março e Maio numa altura que os desenhos corriam com um caudal bem maior do que agora.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Esta senhora levava mesmo um enorme casaco vermelho.
Por causa dela em plena viagem enchi o reservatório de um pincel de água com tinta da china vermelha.
Foi ela a responsável pela contaminação do vermelho nos outros desenhos que se seguem.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

No comboio na janela do lado de lá, vê-se o filme da paisagem de rio que passa a toda a velocidade. Do lado de cá, vê-se a fila de carros que por mais potentes que sejam se vêm impotentes para acompanhar a minha janela. Ao meu lado enquanto desenho, há quem leia e trabalhe a todo o gás.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Esta senhora estava sentada demasiado perto, era por isso um alvo improvável para um desenho, mas há pessoas, especialmente, senhoras que parecem nem pestanejar, nem mudar a direcção do olhar, será talvez uma defesa pessoal anti agentes exteriores, criam uma espécie de casulo invisível em torno de si próprias.
Seja como for, assim tornam-se presas fáceis, mesmo tão perto estava seguro que a senhora não ia reagir.
Mas não fosse a senhora sentir-se mal, pelo sim pelo não desenho só a mala, o resto é que é o acessório.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O desenho não é de hoje mas podia, é mais um reencontro com a luz que atravessa esta sala nestes dias sol intenso, olho o rio e a direcção do vento e nem quero imaginar a praia que está!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Na tropa não passei de cabo, fiz a macaca, fui feijão verde de infantaria, ainda assim arrisquei...
Puxei por esta desgraça de galões e subi as escadas que davam acesso ao clube de Sargentos no último andar de um prédio antigo da Rua de Alfama junto à paragem do eléctrico.
Entrei todo emproado tal como me lembro em tempos ter andado na parada, passo decidido como se fosse da casa, não olhei muito em volta não fossem desconfiar não ser sargento e muito menos, não pertencer ao clube.
Senti-me observado como quem é o alvo duma repreensão pela falta de atavio numa revista às tropas, olharam-me dos pés à cabeça mas fui bem atendido e melhor servido.
Num clube de sargentos dificilmente se comeria mal, a posta de bacalhau assada na brasa era alta espessa, saía às lascas no meio de batatinhas a murro, alho esmagado e muito azeite, o café é na salinha ao lado junto de troféus e galhardetes, ou então na varandinha com vista para alfama.
Afinal o clube é aberto a pessoas como eu sem patente, mas tal como em todos os clubes aos quais não se pertence, somos sempre estranhos.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Às vezes sou eu que subo para cima de uma mesa para servir de modelo e desenhar quem me está desenhando.
O fogo cruzado de olhares que atravessa o silêncio da sala é fantástico.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Pronto!
Agora é que foi mesmo! O começo de Outubro marca definitivamente o mudar de página no calendário lectivo. Nunca consegui resolver bem a ideia das férias grandes se irem encurtando com a suposta maturidade. Todos os anos passo pela angústia de deixar a casa da Ericeira agora que acabaram as nortadas, o mar aqueceu, se instalou o "glass"* e as ondas chegam mais perfeitas e mais consistentes.
Pronto! Agora é que foi mesmo o Ar.Co começou e CIEAM na Fac. de Belas Artes também, regresso ao ritmo urbano com o enorme privilégio de continuar com belas vistas seja na sala da colina nascente seja na sala da colina poente.

*"glass" situação delicadamente frágil em que se encontra a superfície do mar enquanto não sopra a mais pequena aragem, produzindo um espécie de película viscosa aquecida na fina camada superficial que é pulverizada por estrelinhas encandescentes, reflexos de luz cintilante provocada pela incidência dos raios solares sobre um determinado ângulo.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Tal como nas touradas, nas carruagens ou mesmo na vida, há sempre quem reserve o seu lugar ao sol, ou na sombra!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Estes desenhos como disse já têm uns meses, andava nessa altura entusiasmado a experimentar as cores fortes com que tinha enchido os pínceis de àgua. Já tenho saudades de regressar a estas cores.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Aqui há tempos antes duma pequena palestra sobre cadernos de viagem na Fábrica de Braço de Prata, para fazer tempo entro numa sala onde também estava o Tim mais uns músicos a ensaiar umas musiquinhas mansinhas do seu album a solo.
A coisa suava a "fraquinho", faltava lá o Cabeleira, o Kalu, o Guy e o Zé Pedro para dar aquela grande "malha" que durante 30 anos tanto ajudou a crescer a geração anterior à minha, à minha, à seguinte, à que veio depois e à que está para vir!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Desenhar no comboio implica por vezes enquadramentos difíceis, na tentativa do disfarce, procuram-se alvos menos óbvios, cortam-se cabeças aparecem outros membros pela frente como se andasse a disparar ao calhas.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Há sempre motivos mais floridos do que outros.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Este desenho levou 3 semanas a fazer. Não pela complexidade da arquitectura barroca do monumento, mas porque foi sendo feito sempre à mesma hora, no mesmo dia da semana, nas sobras de tempo, nos fins de tarde quando chegava cedo demais às aulas das Caldas.
Agora quando as sessões de desenho na rua começarem tal como na primavera quando este desenho foi feito, ainda vou poder contar com dias como este em lugares magníficos como as portas do sol, a primeira colina a aquecer.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Postar imagens destas é estar a antecipar a rotina que está para vir. Pode ser que assim o choque não seja tão grande.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Já cheira a Outono!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Não sei se sou contra ou a favor. Por um lado acho que são uma invasão do espaço, tapam as vistas, multiplicaram-se como pombos, estão por todo o lado e já lá estão quando eu chego, são feias, um verdadeiro atentado à escala à proporção e ao design automóvel. São cómodas mas sem poesia, ainda assim imagino-me a passar a reforma andando por aí numa coisa daquelas!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Neste restaurante em Monsaraz a caça empalhada na parede olha-nos de forma sobranceira como quem diz... Está vos a saber bem?!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Este meu aluno promete...
Tem uma grande cabeça!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Acho que ainda não estou preparado para enfrentar este vai e vem quase diário.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

De regresso a estas lides. Tanto tempo passou que já nem me lembrava como é que se postava. É bom que a Net vá de férias também se não corremos o risco de se tornar mais uma coisa da qual não nos conseguimos desprender. Volto ao mesmo caderno que está cada vez mais fora do seu tempo.
As postagens que se seguem são de rotinas passadas que ainda nem retomaram.
Muito Obrigado por todos os comentários que foram deixando.

domingo, 2 de agosto de 2009

Cada um com a sua tarefa, partimos lado a lado na mesma corrida mas com instrumentos diferentes.
Pelo canto do olho vamos controlando o adversário, a tesoura parece imbatível, leva algum avanço sobre o meu pincel. Se algo correr mal de parte a parte vou ser sempre o mais lesado. Há que ser rápido, mas não posso perder a concentração.
As tesouradas parecem mais confiantes e certeiras do que as pinceladas. O Sr. Delgado não me quer facilitar a vida, roda em torno do trono com uma rapidez que não o alcanço. Na recta final dei tudo por tudo para que no fim de me cortar o cabelo podessemos também cortar a meta juntos.

sábado, 1 de agosto de 2009

Pedi ao Sr. Delgado depois de me cortar o cabelo se podia fazer uns desenhos por ali.
Era uma hora morta, depois do almoço é sempre assim, diz-se que cortar o cabelo de barriga cheia não é bom para a digestão. Talvez seja por isso que naquele estabelecimento respeitem a hora da sesta.
Fui o primeiro cliente da tarde, a seguir a mim não entrou mais ninguém, o Sr. Delgado puxou de uma cadeira antiga de assento largo e apoios para os braços, recostou-se como pode, deixou cair as pálpebras mas manteve-se atento não fosse perder algum cliente.
_Posso fazer um desenho de si?
_Não mudou a posição mas esforçou-se agora por segurar os olhos abertos.
No fim pediu se podia ficar com uma fotocópia do desenho.
Quis fazer isso quanto antes, já estou a precisar de cortar o cabelo outra vez, talvez o Sr. Delgado até já nem se lembre do prometido. Receio a morte anunciada, que quando voltar de férias e desenho na mão a barbearia Campos possa não estar mais aberta.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Como diz o "pintarriscos"de facto já não existem muitos espaços assim e este em breve também vai deixar de o ser. A barbearia fica situada provavelmente no metro quadrado mais caro de Portugal, terá sido essa eventualmente a razão da sua sobrevivência, assim como é agora a razão da sua sentença.
O prédio junto à Brasileira, parece que já foi comprado por uma empresa mobiliaria italiana, o Sr. Delgado (peço desculpa chamei-lhe Magalhães na postagem anterior) já só está à espera do dia em que chegue o senhorio para lhe pedir as chaves definitivamente.
Provavelmente para os italianos transformarem o espaço em mais um do que quer que venha a ser, certamente ultra "clinic design"!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Enquanto espero que o assento vage, assisto aos preparativos para a chegada de mais um cliente. A escova passa apressada pela bancada e pelo trono, acredito que qualquer homem que ali se sente, sente-se de facto como um rei!
As cadeiras são enormes, quando subimos para elas o ego sobe também, os pés descansam num enorme estribo tal como numa "Harley" com selim de couro e tudo!
Pelo jogo de espelhos o senhor Magalhães controla se tudo está operacional.
É ele que a seguir me vai cortar o cabelo.
O Sr. delgado tem um carinho especial por tudo aquilo, conta que quando lhe trespassaram a barbearia foi descobrindo estas peças que andavam por aí esquecidas nas gavetas, juntou tudo na vitrine da entrada que hoje mostra com um orgulho de coleccionador.
-" Já me ofereceram muito por isso que tenho aí mas eu não vendo!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Mesmo num Mercedes as condições para um desenho feitas a partir do banco de trás de um táxi são difíceis. Nesta corrida aos arranques e travagens entre o Castelo e as Amoreiras ansiava por sinais vermelhos de forma a haver algumas tréguas dos solavancos, mas também não muitas, não fosse o táximetro mostrar que o desenho me estava a sair demasiado caro!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sentado nestas cadeiras do restaurante "Sem Fim" dava para ver ao longe o percurso que haveria-mos de fazer à chapa do sol, de caderninho na mão até Monsaraz.

terça-feira, 21 de julho de 2009

O atalho que sobe para Monsaraz poupa algumas curvas à estrada só dá para ir a pé, mas vale a pena! É uma bela aproximação à terra.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Acabada a caminhada pelo monte a cima escolhi os caminhos da sombra para me ir encostando e desenhando.
Após um almoço aligeirado este foi o desenho do pico do calor.
Valeu uma parede á sombra de cal fresca para me encostar. Estavam lá mais uns quantos a fazer o mesmo!