Ficar a ver as ondas dos amigos encostado à chapa quente que irradia da carrinha, tirar a areia dos pés enquanto espero que descongelem dedo a dedo, grão a grão, muito bom!
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
É rapaz para não ter chegado ainda à meia idade, mas parece ter vindo da era pré "autocad".
Do tempo em que os arquitectos eram muito mais do que projectistas de monitor à frente, andavam no terreno, conheciam os hábitos, a cultura, a génese local, as matérias primas da região, a escala adequada e as reais necessidades, desenhavam todos excelentemente, eram quase antropólogos, mais ou menos paisagistas e urbanistas e só no fim projectistas á mão levantada.
Conheci-o à 7 ou 8 anos, tinha nessa altura conseguido a proeza de pós final de curso ser admitido num dos mais conceituados gabinetes de arquitectura do país.
Mais ainda, a grande proeza de poucos meses depois se despedir para passar a servir à mesa num bar de praia com uma vista fabulosa para as ondas que rebentam perfeitas, mesmo sobre a esplanada.
Encontrei-o agora por acaso anos depois, num dia frio de outubro, nas falésias da Arrifana onde só estas almas por esta altura vagueiam.
Estaciona a "Maravilhosa" ao meu lado, são menos de dois metros de viatura vermelha da marca das vespas, tamanho suficiente para conseguir na diagonal sobre um colchão feito à medida, esticar as pernas durante a noite.
Less is more... o lema já não é novo, tem sido é esquecido, o Pedro segue-o em todas as vertentes.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Desta vez não resisti, decidi parar para desenhar, não a recta mas o pinheiro que em contra luz faz um alto contraste com um inimitável verde florescente das copas redondas dos pinheiros mansos iluminados lá no fundo.
Fica neste sentido entre Bordeira e Carrapateira, vale a pena passar ali àquela hora e parar.
Houve quem também parasse em solidariedade.
_Precisa de ajuda?
Aconteceu alguma coisa?
Quer que chame um reboque?
_ Obrigado estou só a desenhar este pinheiro!
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
É para quem lá pernoita, só quando ele já vai alto, é que todos chegam.
Tarde demais para se gozar do laranja intenso daquela rocha.
Tarde demais para se ver o azul que só aparece com o sol mesmo de frente.
Tarde demais para que a espuma fique para lá de branco.
Tarde demais para que todos os contrastes não se diluam.
Saudades de acordar ali assim.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
É chegar e surfar, sem passar por vestir o fato mijado, molhado, amarfanhado no alguidar na bagageira com areia.
É remar direitinho ao pico, sem levar com uma na cabeça.
É chegar e sentar na primeira fila do "line up" "dar a voltinha" a tudo e todos sem que ninguém fique de mau humor.
É apanhar a melhor do "set" e "dropar" atrasado.
É cravar os "rails" num "bottom turn" a olhar para o "lip", bater lá em cima e passar a sessão.
É atrasar e encaixar por a mão na parede para atrasar ainda mais.
É pisar á frente para sair de um "tubásso" alucinante que só eu vi de cá de fora.
É bombar para a frente para fazer um "round the house cut back", voltar a bater na espuma e...
repetir a cena toda outra vez, com o cabelo seco, sem precisar de sair do carro.
Há quem comece a "checkar" na Ericeira, venha por aí a baixo e só acabe de "chekar" na Arrifana.
Há certas companhias que são mais propícias ao "chekanso" e é certo e sabido, se formos na cantiga, só vamos fazer kilómetros, ou roteiros gastronómicos.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Abstractas são igualmente as razões destas ondas rochosas sobre elas produzirem ondas de mar, essas sim, tudo menos abstractas, desenhadas pela natureza conforme todo o surfista artista ou não artista desenhou toda a vida em páginas de cadernos de escola, vidros embaciados, bloquinhos de telefone, toalhas e toalhetes de restaurante e por aí fora.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Desde agosto que guardava a ideia da desilusão com que ficara deste lugar, auto caravanas com tamanhos inacreditáveis, autênticos condomínios fechados com a agravante de serem móveis, jeeps estacionados em cima da vegetação, carros atascados para pouparem uns metros de caminhada, música tecno a sair pelas forras das portas etc,etc,etc.
Voltei lá numa noite de outubro, ninguém! Estaciono, desligo os farois fica totalmente escuro, saio e faço xixi a olhar para as estrelas, a noite já é fria e húmida, ouvem-se os sapos e o barulho da ribeira, não há pinga de vento deito-me ansioso por uma manhã de ondas e mar "glass". De manhã afasto a cortina para "checkar" mas não vejo o mar, alguém chegou durante a noite e tapou-me a vista!
Desta vez uma bela vista! Tão linda quanto a paisagem que ficava do lado de lá deste modelo verde pistácio tão típico dos últimos que saíram da fábrica alemã de "pães de forma" dos finais da década de 70.
Houve tempos que as auto caravanas eram todas assim!
domingo, 18 de janeiro de 2009
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Autarcas, empreiteiros, patos bravos, engenheiros sempre, sempre unidos pela destruição ambiental, pela edificação monumental, betonificação global.
Ericeira é já a Albufeira do Oeste e não vai ficar por aqui, quer mais e mais alcatrão, estaleiros de construção, lotes de habitação, rotundas de circunvalação semáfros e placas de sinalização, bancos, hipermercados porta sim, porta não!
O meu amigo Pedro Leitão faria disto uma bela canção de intervenção!
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
fico a observar o movimento dos barcos que viram a proa ao sentido contrário ao da maré, ou do vento conforme estas variáveis se manifestam com mais ou menos força.
Na outra margem vejo a direcção e o grau de inclinação dos fumos das fábricas do Barreiro e daí tiro as minhas conclusões... Devem estar a rolar certinhas lá na minha praia!
Fico mais aliviado quando chego às conclusões contrárias.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
domingo, 30 de novembro de 2008
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
"É uma casa portuguesa com certeza"
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
terça-feira, 18 de novembro de 2008
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Dois dias depois voltei a passar junto da porta da malfadada tasca, agora fechada e com um letreiro de uma funerária na porta.
O senhor da corcunda adaptada ao escasso pé direito do estabelecimento morreu, eu fui pelos vistos uma das ultimas vítimas a quem o senhor provocara danos intestinais.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Desci do castelo à baixa com o intuito de parar na primeiratoalha de papel que tivesse escrito "jaquinzinhos".
Assim foi, sem olhar dei por mim numa tasca que pensava já nem existir, pelos vistos a A.S.A.E. também não.
O pé direito obrigava a andar curvado, o gerente ganhou uma corcunda adaptada ao meio, escorria gordura pelas paredes, cheirava a creolina e o exaustor ensurdecedor fazia parecer estar na casa das máquinas de um petroleiro, mesmo assim não virei costas à ideia dos "jaquinzinhos".
Estavam como não poderia deixar de ser incomestíveis, mas bons para serem desenhados.
Um prato do dia intragável que se revela num desenho do dia somente fraquinho!
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